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Destruições naturais ou provocadas?

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terremoto-esperancaA crise ambiental está na pauta mundial nos últimos anos. Não apenas por causa do propagado aquecimento global que seria ou será, dependendo da ótica científica, fator de destruição gradativa e progressiva do planeta em que vivemos. Mas a ocorrência de diversas situações de desequilíbrio climático, em média e grandes proporções, em diferentes pontos do globo tem preocupado as autoridades. No final de ano, grandes nevascas assolaram os países localizados no Hemisfério Norte como os Estados Unidos, Canadá e várias nações europeias, enquanto no Brasil, por exemplo, as chuvas intensas são responsáveis por destruições permanentes. Tenho lido que especialistas em meteorologia concordam que tem chovido, além do normal, em vários estados brasileiros, e os resultados são vistos: enchentes em São Paulo, Minas Gerais, fortes ventanias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul e agora deslizamentos graves no Rio de Janeiro. O saldo tem sido o de vários mortos, muitos feridos e um grande número de pessoas desabrigadas ou desalojadas. Em 2009, foram registrados 245 desastres naturais, abaixo da cifra mais alta da década, de 434 ocorrências em 2005, conforme informou a Estratégia Internacional para a Redução de Desastres da Organização das Nações Unidas. Dos 245 desastres, 224 estavam relacionados com o clima e causaram cerca de 7.000 das 8.900 mortes, segundo dados preliminares.

Mas qual a relação desse panorama desanimador e a vida de um cristão? Os cristãos têm compromisso com a preservação deste planeta de alguma maneira e poderiam estar sendo, também, omissos nesse papel? Estima-se que, na capital paulista, pelo menos 70% dos alagamentos aconteça por entupimento de bueiros com lixo. O mesmo deve ocorrer em outras cidades.

Curioso é perceber o direcionamento bíblico para o conceito de que o ser humano é responsável pela administração do que foi criado por Deus. Inclusive por seu próprio organismo. Comecemos pelo período imediatamente após o ato criador. Após criar o homem, é dito que Deus, no versículo 28 do primeiro capítulo de Gênesis, deu a seguinte recomendação a Adão e Eva: “…dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Almeida, Edição Contemporânea). A palavra dominar indica um controle e um gerenciamento em relação à natureza. E gerenciar implica não destruir, nem esgotar os recursos naturais disponíveis e muito menos retirar sem repor. É, em última instância, a tarefa de cuidar. Semelhante orientação foi dada, após a ocorrência do Dilúvio bíblico, para Noé e sua família. No capítulo 9 de Gênesis, há a afirmação de que tudo o que foi criado seria entregue em suas mãos.

Em outros trechos, sobretudo no Antigo Testamento, quando há uma explícita apresentação de normas e recomendações úteis ao povo de Israel em sua trajetória rumo às terras de Canaã, é possível reconhecer a preocupação divina com o meio ambiente. São menções quanto ao descanso da terra (Levítico 25), às queimadas (Êxodo 22:6), à proteção geral de animais (Êxodo 21:33,34), ao cuidado com árvores frutíferas em determinadas situações (Deuteronômio 20:19,20) e mesmo assinalada repreensão contra a crueldade praticada contra animais (Provérbios 12:10).

A base de todo esse cuidado de Deus com respeito à natureza parece estar em Salmos 24:1. Diz a versão bíblica que “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam” (Almeida, Edição Contemporânea). O princípio é o mesmo que observado com referência ao cuidado com o corpo, a mente, com os recursos financeiros e com o tempo. Deus é o legítimo proprietário de tudo, portanto deu a oportunidade ao ser humano de fazer a administração de tudo o que há. A boa administração, logicamente, resulta em bons resultados e, o contrário, da mesma forma.

Parece que, independente do que as pesquisas têm demonstrado, a administração dos recursos naturais tem se mostrado, de modo geral, a pior possível. O lixo produzido por uma vida absurdamente consumista e descartável da maioria das pessoas não encontra mais vazão e polui todos os mananciais de água possíveis, inclusive os mais profundos. A emissão de gases poluentes é uma realidade em uma sociedade na qual os indivíduos consomem, cada vez mais, máquinas movidas a fontes combustíveis. A falta de reposição equilibrada do que é velozmente sugado da terra (árvores, água, nutrientes, etc) se transformou em um hábito irresponsável em grandes dimensões.

Há movimentos para redução disso, mas são ínfimas as mudanças significativas. Mesmo assim, os cristãos, de acordo com a Bíblia, não têm o direito de cruzar os braços diante disso. Pode haver a impressão de que, por estarem com foco em uma nova terra, de vida eterna e erradicação completa do pecado e suas consequências, os cristãos estariam livres de cuidar do meio ambiente. Tal pensamento não se coaduna com a Bíblia, já que o pedido de Deus é que, enquanto habitam a terra, os humanos convivam da maneira mais ambientalmente harmoniosa com os demais seres. No livro de Apocalipse, no trecho que apresenta as características do período descrito como sétima trombeta, e que muitos estudiosos creem ser o tempo final e o imediato retorno de Cristo a este mundo, uma advertência solene chama a atenção. No capítulo 11 e versículo 18 é dito que “iraram-se as nações, então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos, e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra”. (Almeida, Edição Contemporânea). Os que perseguem os verdadeiros adoradores de Deus e, por conseguinte, deram sua enorme parcela de contribuição para a destruição do mundo natural, receberão a retribuição final ao que buscaram.

A Bíblia não se omite em relação ao meio ambiente. Pelo contrário, declara que os que se consideram cristãos possuem uma responsabilidade ainda hoje no planeta em que habitam. É verdade que aspiram a uma terra eterna, sem desmatamentos, poluição, consumismo desequilibrado e desordem do ecossistema, mas sem se esquecer da realidade em que vivem.

 

Felipe Lemos

Jornalista, mantenedor do blog www.felipelemos.com

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Comentarios

Este artigo teve "11 Comentários"

  • Maricélia

    26 de janeiro de 2010

    Não podemos fazer previsão da volta de Jesus, mas Ele está muito próximo de voltar. Tenho 18 anos, e desde meus 9 anos ouço falar que Jesus vai voltar. E os sinais estão cada dia maior. O ano mal começou e já aconteceu todas essas tragédias. Essa foto está parecendo com a cratera que abriu ontem em Itapevi na cidade que moro. Fiquei horrorizada ao ver no jornal. Deus é tão bom que não permitiu que ninguém viesse a falecer. As pessoas reclamam de Deus, mas não percebem que a culpa é nossa por não cuidar da nossa “casa” que é o planeta terra. Mas Deus é tão misericordioso que sempre está protegendo as pessoas.
    Meu desejo é que Jesus volte logo para acabar de uma vez por todas com essas tragédias.

  • BlogAdventista.com.br » Blog Archive » Destruições naturais ou provocadas?

    26 de janeiro de 2010

    [...] de autoria do site Esperança publicado originalmente neste link. Todos os direitos são reservados aos respectivos autores.</p Deixe um comentário: Visited [...]

  • Genilson Pereira de Gouveia

    26 de janeiro de 2010

    O artigo é muito oportuno. E nos leva a meditar sobre a forma como vemos, e não damos a menor importância à qualidade de vida e como estão destruíndo a natureza. Sim, sei que temos um objetivo principal e devemos mantê-lo, que é a vida eterna, mas também devemos cuidar de tudo o que foi criado por Aquele que o dono de tudo e criou todas as coisas.

  • Ana paula

    28 de janeiro de 2010

    Cada dia que passa eu anseio mais pela volta de Jesus, e tudo que está acontecendo atualmente revela que esse dia se aproxima!

  • maria antonete bezerra

    1 de fevereiro de 2010

    muito obrigado esto gostando muito das revista toda ela são maravilhoso.

  • almir

    2 de fevereiro de 2010

    gostei da leitura são de coisas boas ,assim que a internet precissa,muito obrigado!

  • Priscila

    6 de fevereiro de 2010

    Gostei muito desta leitura, pois a algum tempo eu medito sobre minha responsabilidade em cuidar deste planeta, como foi publicado sei que aqui nós estamos somente de passagem, a terra que iremos morar está sendo preparada com muito carinho pelo nosso pai celeste; mas é aqui nesta terra que temos a oportunidade de mostrar se merecemos esta terra prometida pelo nosso Senhor Jesus, e isso envolve não jogar lixo no chão, participar efetivamente dos programas de reciclagem e aproveitar de maneira responsável o ambiente em que vivemos. Agradeço a aportunidade de compartilhar com todos esse pensamento. “OUÇO OS PASSOS DE UM DEUS QUE SE APROXIMA’

  • Felipe Lemos

    9 de fevereiro de 2010

    Obrigado a todos que comentaram e sigamos em frente cuidando de tudo o que Deus criou.

  • Jair Conceição

    23 de fevereiro de 2010

    Pertinente o comentário. Nós como cristãos devemos demonstrar o amor de Deus não somente aos homens, mas aos animais, à natureza e à vida em suas diversas expressões. Há porém algo que me incomoda: ALGUÉM ME DISSE QUE AS CATÁSTROFES SÃO PROVOCADAS CIENTIFICAMENTE PORQUE INTERESSA A UM PEQUENO GRUPO, O EXTERMINIO DE PARTE DA POPULAÇÃO, para que a nova ordem mundial seja implantada.
    Gostaria de ler algum artigo sobre isso.

  • Adilson Simao

    23 de fevereiro de 2010

    gostei da sua exposição!

  • WILMA GOMES

    28 de fevereiro de 2010

    Eu percebo é que as pessoas só pensam em qualquer outros mil motivos, menos pra verdade, que é o que está na palavra de Deus.
    Tudo que está acontecendo é profético. Tá na Bíblia.

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