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Abuso Sexual Infantil – Supernecessário saber…

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É difícil para a maioria das pessoas imaginar um adulto tendo prazer sexual com uma criança, mas a realidade que nos cerca cada vez mais está mostrando como isso é real, doloroso e deixa marcas severas na vida dos envolvidos.

Algumas das frequentes perguntas que surgem a respeito do assunto com suas respostas podem ajudar a esclarecer algumas questões sobre o abuso sexual infantil.

Qual a definição de abuso sexual infantil?

Muitos pensam que abuso sexual infantil é ter uma relação sexual completa com uma criança, mas a definição é muito mais ampla do que isso. Podemos caracterizar o abuso como: tocar a boca, genitais, bumbum, seios ou outras partes íntimas de uma criança com objetivo de satisfação dos desejos; forçar ou encorajar a criança a tocar um adulto de modo a satisfazer o desejo sexual. Fazer ou tentar fazer a criança se envolver em ato sexual. Forçar ou encorajar a criança a se envolver em atividades sexuais com outras crianças ou adultos. Expor a criança a ato sexual ou exibições com o propósito de estimulação ou gratificação sexual. Usar a criança em apresentação sexual como fotografia, brincadeira, filmagem ou dança, não importa se o material seja obsceno ou não.

Quais são as principais estatísticas que existem sobre o assunto?

O número de crianças e adolescentes abusados sexualmente no Brasil é cada vez maior, mas só uma minoria apresenta queixa. Isso se dá devido ao grande trauma psicológico acarretado e também porque muitas vezes o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, quando não é o próprio pai ou padrasto, o que gera medo de retaliação. As estatísticas brasileiras a respeito de abuso sexual infantil estão defasadas, faltam verbas, falta preparo de quem acolhe as denúncias, faltam mais pesquisas. Em 2008, o Disque 100 recebeu cerca de 25 mil denúncias. Em 2008, a SaferNet Brasil, uma organização de combate à pornografia infantil na internet, recebeu 42.122 denúncias sobre abuso. Assim mesmo, sem muitas estatísticas, os números são alarmantes, e têm crescido a cada ano por haver mais esclarecimento sobre o assunto, por haver mais divulgação, mas também pela maior possibilidade de acesso às crianças.

De que forma a criança pode demonstrar aos pais ou responsáveis que sofreu abuso?

Os principais sinais que a criança pode mostrar e podem ser observados pelos pais, professores ou outro cuidador da criança são: conhecimento ou comportamento sexual fora do esperado. Mudanças no comportamento como perda do apetite, pesadelos, medo de dormir, se afastar das atividades rotineiras. Afastamento dos amigos. Voltar a fazer xixi na cama. Chupar o dedo. Dificuldade de concentração na escola. Medo de alguma pessoa, ou pânico de ser deixada em algum lugar ou com alguém. Comportamento agressivo ou perturbador, delinquência, fuga de casa ou prostituição. Comportamentos autoagressivos. Irritação genital ou sangramento, inchaço, dor, coceira, cortes ou arranhões na área genital, vaginal ou anal.

Qual deve ser a postura dos pais? 

Em primeiro lugar, não entrar em pânico. Muitas vezes, os pais já até tinham algum “pressentimento” sobre determinada pessoa, mas não deram a devida atenção à sua percepção. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus queridos. Se a criança conseguir contar aos pais, atenção! Acreditem, dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza. Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu. Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia. 

Quais as principais sequelas do abuso sexual infantil e como tratá-las?

As principais consequências são:

Confusão
– A criança pode achar que é normal porque o abusador disse que é, mas é confuso por que ele também falou para não contar para ninguém.

Culpa
– Por não ter feito nada para parar o abuso; porque às vezes podia sentir algo bom; sentia que recebia coisas especiais por fazer aquilo; acha que fez algo para que o abuso acontecesse; é tão má que mereceu o abuso.

Medo
– De ter sofrido um dano físico irreparável; de ser descoberto pelos outros; de que só de olhar para ele saberão que é mau.

Raiva
– Do abusador; de si mesma, por não parar o abuso, ou por gostar; do  pai/mãe que não a protegeu de ser abusada pelo pai/mãe; pode parecer uma criança passiva e submissa, mas está explodindo por dentro; pode descarregar sua raiva maltratando animais ou crianças menores

Perda da confiança – Nos pais; nos adultos.

Se isso aconteceu com alguma criança que você conhece, busque ajuda especializada. Leigos no assunto com frequência machucam mais do que ajudam.

Cláudia Bruscagin Schwantes

14 respostas para “Abuso Sexual Infantil – Supernecessário saber…”

  1. Odivia Barros disse:

    Oi Cláudia,

    O título do seu artigo diz tudo. É super necessário saber como evitar e como prevenir o abuso sexual infantil. E como falar disso com as nossas crianças?? Em 2011 lançarei um livro infantil para ser trabalhado com crianças na educação infantil. Escola e educadores são importantíssimos nessa luta. Mas os próprios pais podem usar o poder das histórias para alertar seus filhos e essa ambém é uma forma de tentar protegê-los.
    Gostarei de saber a sua opinião sobre o meu livro.

    Abraços,
    Odívia Barros

  2. J.A disse:

    Acredito que um dos motivos para a criança do sexo masculino manter-se calada com relação ao ocorrido, mesmo após o crescimento e amadurecimento, seja cultural.
    Existe a cultura do machismo e da aversão à homossexualidade; o menino, abusado por um homem, tende a temer que o ato de revelar/denunciar o abuso, acarrete numa reação de preconceito e asco por parte de seus familiares e amigos, mesmo que o fato de ter sido uma vítima de abuso não signifique, necessariamente, alteração da sua orientação sexual.
    Pelo menos comigo foi assim.

  3. neide disse:

    sofri um abuso sexual aos meus 5 anos de idade,o abusador foi meu irmão adolescente,fiquem atentos pois todo mundo é suspeito. Até hoje tenho muitos traumas e isso vem me causando muito panico, pois tenho uma menina de 4 anos e morro de medo que ela passe o mesmo.
    Desde que separei do pai dela me privo de um relacionamento por medo. Desejo esperar ela crescer mais. Tive que fazer terapia, pois eu a protegia demais, porém sempre acho que isso é normal…
    Bom só mesmo DEUS para dar a completa proteção. bjs

  4. Lagrima disse:

    Sofri abuso sexual aos meus 11 anos!!
    hoje tenho 20 e ainda nao consegui superar esse trauma!!
    Pois tbm minha historia nao é nada legal, Alem de ter cido abusada pelo meu cunhado, que eu considerava ele como um pai, minha familia errou na atitude quando solbe desse asunto!
    Minha irma ainda continua casada cm ele, ele esta solto nao foi denunciado esse casoo!
    eu nao me tratei na epoca cm picicologos soó fiz alguns exames mas nada!
    e ele continua frequentando minha casa e minha vida!
    Pois HJ sofro muito mais do que nao epoca que era muito infantil e nao entendi direito o que estava acontecendo!
    meu pai é o unico da familia que nao sabe do asunto!
    e Hj sofro muito tem epocas que eu fico tao pra baixo que emagreço nao consigo comer!
    hj sei que preciso de Ajuda e que nao suporto mais olhar na cara dele que minha irma mesmo sabendo de tudo ainda leva ele na casa de meus pais onde eu moro!
    tenhu muita dificuldade cm namoros, pois nao sinto vontade de ter relaçoes, e tbm desconfio de todos e de tudo!!
    Preciso de Ajuda nao sei mais o que fazer pois sempre que me lembro da historia eu tenhu crises de vonitos e me sinto mais culpada de ter deixado td isso acontecer!!!
    O que eu posso fazer da minha vida???
    preciso de AJUDA!

    SOCORRO!!!!

  5. evaldo disse:

    Olha Lagrima,
    Seu grito silencioso esta tão alto que se pode ouvir nas palavras do seu desabafo personalizado em ‘Lagrima’.
    Se sua condição financeira ou geografica nao lhe permite uma terapia com um profissional qualificado, pense e procure se adaptar a isto que informo lhe a seguir.

    Vou lhe dar duas informacoes para que voce comece a trabalhar a sua mente.

    Primeiro. Isto foi um acontecimento isolado, não é rotina na sua vida. Trabalhe sua mente nesta dinamica.
    Segundo. Sobre o violentador. É tambem uma pessoa distinta, isolada. Não é atributo da maioria das pessoas.

    Acredito que se voce conseguir avaliar esta duas questoes no seu intimo voce comecara a se sentir mais confortável e com certeza se sentirá mais segura na sua vida relacional afetiva.

    Meu abraco carinhoso e desejoso de superação.

  6. Erik disse:

    Sou homem e só Deus sabe o quanto é difícil… foi abusado pelo meu pai durante anos, e só quando tinha 20 anos consegui dar um basta e contar para meus irmãos e minha mãe (meus pais são separados)… durante muitos momentos pensei em suicídio, rezava a noite pedindo para Deus me levar…sentia vergonha, medo da reação dos parentes, sentia-me preso…. não conseguia encontrar uma solução… até que criei coragem e contei para minha mãe e irmãos… hoje em dia tenho 29 anos e é muito difícil lembrar de tudo, sempre que começo a pensar no assunto começo a chorar, não tem jeito… lamento muito não ter criado coragem de denunciá-lo naquela época… esse maníaco doente deveria apodrecer na cadeia… infelizmente não tenho como provar agora e por isso não divulgo o nome dele… penso em montar uma ONG para combater esse tipo de criminoso e dar apoio às pessoas que sofreram ou sofrem esse tipo de abuso por parte desses doentes…

  7. euu disse:

    eu comesei com meus 5 anos ..eu via nas revistas nos filmes e acabei me viciando com isso ..
    é muito ruim doi muito só de pensa nisso.eu nunca falei pro meus pais.nao fasa se for pequeno :(

  8. Evelyne disse:

    eu fui abusada quando tinha entre 8 e 10 anos…….. foram dois anos que destruiram a minha vida,
    não sabia nada de sexo….. nada mesmo….. mas de alguma maneira sabia que aquilo estava errado….. nunca ninguem tinha me tocado daquele jeito, doía porque eu ficava tensa, me sentia suja, má….. isto mesmo que diz no texto……
    hoje tenho 21 anos e tento viver normalmente mas a gente nunca esquece……….

  9. lizete disse:

    oi, obrigada por trazer dicas de como lidar com situacoes de abuso sexual de menores, sou mae e tenho muito medo. todos os pais tem de ficar bem atentos e quando desconfiam de alguem evitar o maximo que o menor fique sozinho com o suspeito.

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